<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277009618275189847</id><updated>2012-02-16T09:45:37.487-08:00</updated><category term='contos'/><title type='text'>Pedro Marques</title><subtitle type='html'>Contos, crônicas e tentativas de escrever um texto.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277009618275189847/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_2ws6lZ3Q3Ns/SArTygB-ynI/AAAAAAAAAAM/bDHiyE1qpSE/S220/ATgAAAAWOaLvkP_IhAsHym4yQnAG_9cB_hwt0CLzz48TGzfe67T9tt7q_BM_KSkTN3ZMABd58h0uBqJ9dto3dUDhRSBIAJtU9VDE1YjtMkicakAgR46jVdHEcmaYMw.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277009618275189847.post-1544859380437465043</id><published>2010-05-10T21:10:00.000-07:00</published><updated>2010-05-10T21:10:02.846-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>A puta zumbi</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marcelo é o típico cara de 25 anos, tinha terminado seu curso superior, mas trabalhava em uma área totalmente diferente da sua graduação, 44 horas por semana, ganhava razoavelmente bem, não tinha muitos vícios, saia de vez em quando pra tomar “uma cervejas”, filava alguns cigarros quando escutava algum rumor que poderia ser demitido. Um típico celetista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo não levava muito jeito com as mulheres, não o julguem, de vez em quando ele conseguia comer alguma bucetinha de graça, mas quando o saco começava a pesar, ele retirava uns 100 reais do seu ordenado e partia pra um puteiro classe média da capital. Segurança na entrada, cerveja quente e putas de todos os tamanhos e qualidades tentando hipnotizar o seu pau pra uma trepada de “15 minutos ou até você gozar, certo amor?”. Marcelo não se sentia muito bem naquele ambiente, só queria abrir as calças, arrumar uma puta com cara de asseada e gastar uma camisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já tinha algumas ninfetas preferidas, mas estava sem sorte. Ana Clara conseguiu pescar um rico otário e brocha pra bancar sua faculdade de jornalismo (eu acho que toda puta devia virar terapeuta sexual, ou pelo menos psicóloga, boa parte do trabalho delas é ouvir merda dos clientes); Lívia voltou para o Rio Grande do Sul, disse para os pais que a faculdade de medicina em Maceió não tinha dado certo e que tentaria passar em uma particular no ano que vem, tinha “juntado uma grana”. Ele tinha uma preferência no quesito mulheres, gostava das branquinhas de cabelo curto e com jeito de intelectual. Muitas vezes pedia para uma habitual usar um óculos na hora que ele ia gozar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro lado do puteiro, tentando embebedar um cara de uns 50 anos, Marcelo viu pela primeira vez Camila. Ruiva com os cabelos batendo nos ombros, com a pele toda vermelha do sol do meio dia, olhos castanhos claros e um rabão de chamar a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele esperou pacientemente Camila terminar de seduzir o senhor calvo, acabou não dando certo as investidas de nossa puta, o senhor continuou bebendo sua Kaiser de três reais. Deu um tapa na bunda de Camila e ela se retirou da mesa, esboçou um leve sorriso depois de levar o tapa. Marcelo sentiu uma facada de ciúmes na nuca. “Que porra é essa?”, pensou alto. Nem tinha falado com essa puta e já tava assim? Que merda é essa? Só tinha uma coisa a ser feita, vou humilhar essa puta, comer ela de quatro, gozar na cara e depois jogar o dinheiro no rosto dela, sair desse puteiro e nunca mais voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo se aproximou de Camila e quando ameaçou abrir a boca, ela falou:&lt;br /&gt;- Oi amor, quer fazer alguma coisa gostosa hoje? 60 reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele entregou o dinheiro na mão, sem falar nada. Foi escoltado até o quarto e transou com camisinha por 10 minutos. Gozou depois de duas posições. Não abriu a boca sequer uma vez. Depois do fight, ainda ouviu 10 minutos de papo padrão de puta. Voltou para casa. Ficou pensando no que aconteceu a semana toda. Não conseguia se concentrar no trabalho. Só conseguia pensar em como se sentiu um inútil manipulado por uma puta. Voltou ao puteiro no próximo sábado, e no próximo, e no próximo, assim sucessivamente por dois meses. Sempre falando trivialidades. Sempre comendo Camila. Sempre fazendo o papel de namorado de puta e até gostando do papel. Teve uma sábado que ele tentou uma aproximação mais direta e perguntou:&lt;br /&gt;- você tem namorado?&lt;br /&gt;- não... eu tinha, mas não rolou.&lt;br /&gt;- era um cliente?&lt;br /&gt;- sim, foi meu cliente por dois anos. Eu costumo namorar clientes antigos. Quem sabe algum dia você não vira meu namo? – terminou rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra Marcelo, abre o olho, essa puta ta querendo manipular você, vai te prender por dois anos, sugar cada recurso que você tem e depois te banir daquela zona. Mas Marcelo estava cego, começou a comprar presentes pra puta e tinha vezes que pagava só pra ficar conversando. Já tinha adquirido o apelido de “namoradinha de puta” com as colegas de Camila. E assim o jogo seguiu por mais seis meses. Um sábado, depois de uma trepada sem graça, Marcelo abriu o jogo:&lt;br /&gt;- Camila, eu te amo.&lt;br /&gt;- oh, docinho, eu também te amo.&lt;br /&gt;- Não, não, porra, eu amo você mesmo, quero que você largue essa vida e venha morar comigo, eu consigo te sustentar, eu até arrumo outro emprego se for preciso.&lt;br /&gt;- Olha, eu sei o que você ta pensando, a gente trepa toda semana, você não tem namorada, é muito carente, acaba se envolvendo, mas eu gosto de ser acompanhante.&lt;br /&gt;- acompanhante o caralho, VOCÊ É PUTA! PUTA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo jogou 100 reais na cama e saiu. Camila ficou parada, já tinha visto aquela cena outras tantas vezes, mas geralmente saia da “relação” sem ser recompensada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camila continuou seu trabalho, atendeu mais cinco clientes aquele dia e depois foi pegar o habitual táxi para sua residência. Saindo do puteiro, deu a porcentagem a seu rufião e seguiu até o ponto. Na primeira esquina sentiu uma pontada no peito. Sua última visão foi a de uma pessoa segurando uma faca e olhando para os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo chegou em sua casa e tentou passar o tempo vendo a sua velha babá eletrônica, mas não tinha nenhum programa que retirasse os pensamentos de “sair pelas ruas matando garotas de programa” da sua mente. Acabou chegando a conclusão que a maioria dos serial killers deveriam ser caras que levaram um chifre e resolvem aliviar a frustração em garotas parecidas com as mulheres que tinham posto o ornamento em suas cabeças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu dar uma passada no bar mais pé de chinelo da cidade, onde ninguém vai pra conversar depois do trabalho ou paquerar, vão pra tomar álcool etílico e esquecer dos problemas. Antes de atravesar a porta, deu mais um longa olhada para o corpo de Camila estendido em seu tapete na sala. Ela ainda parecia debochar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande balcão, quatro mesas, quatro caras bebendo sem olhar pro lado, dose após dose, nem pra discutir futebol, política ou putaria suas mentem permitiam nesse momento, eles dedicavam cada segundo do tempo a tentar afogar seus problemas na bebida. Marcelo se sentou bem em frente ao barman e ergueu o dedo indicando que queria o mesmo que todos os presentes, encher a cara. Começou a beber, em 15 minutos já estava em sua quarta dose, quando percebeu a aproximação de um senhor em seus 60 anos pelo lado esquerdo. Fitou ligeiramente a cara do sujeito, mas parecia que todo o resto de seu corpo era um grande buraco negro.&lt;br /&gt;- Posso ajudar o senhor?&lt;br /&gt;- Eu sinto seu sofrimento, meu filho, você ta sofrendo por mulher.&lt;br /&gt;- Ora seu velho, saia da minha frente antes que eu quebre sua cara.&lt;br /&gt;- Eu só admito que me chamem de velho quando eu não conseguir mais cagar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo olhou mais uma vez para o rosto daquele senhor, a face toda estragada pelo tempo, perfeitamente estragada, parecia que ele tinha morrido, mas um maquiador de corpos tinha refeito sua cara e ele por alguma mágica tinha continuado vivo. Deu mais um gole e respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma puta não me respeitou, mas eu vou esquecer isso hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho se aproximou mais ainda, botou a mão em seu ombro e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu filho, eu sei o que você fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo se sentia extasiado, não tinha certeza se aquilo era um delírio provocado pelo álcool barato, parecia real demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você sabe que eu fiz isso? – respondeu cético&lt;br /&gt;- Aconteceu a mesma coisa comigo e eu marquei minha cara no espelho naquela noite, consigo reconhecer outro homem na mesma situação no primeiro momento que eu vejo, mas existe uma solução pra isso, essa é a sua noite de sorte.&lt;br /&gt;- Você vai me ajudar a livrar do corpo? Olha, eu não tenho dinheiro, e se tivesse preferia tentar subornar um PM, sem ofensas, mas você não consegue nem ficar em pé sem ajuda.&lt;br /&gt;- E se eu te falar que posso fazer com que ela nasça de novo?&lt;br /&gt;- Você é um tipo de bruxo?&lt;br /&gt;- Você pode me chamar de amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou até a casa em que tinha deixado o corpo em decomposição. Não acreditava que tinha deixado um velho o persuadir a fazer aquilo, mas ao mesmo tempo parecia a única coisa a ser feita. Pegou o corpo já frio e colou em sua cama em posição fetal, com uma faca de cozinha fez um furo no pulso da garota e ao mesmo tempo no seu, tomou cuidado para cortar o pulso na horizontal, encostou ambos os pulsos em sincronia. Abaixou as calças e por um milagre conseguiu deixar seu membro ereto. Fez sexo carnal com sua amada ao mesmo tempo que deixava seu sangue despejar na cavidade feita em seu pulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de tudo, nada tinha acontecido. Amaldiçoou o velho pela peça pregada. Estava exausto. Ainda estava todo melado de sangue e fluidos de sua parceira cadáver. Tentou vomitar no banheiro, mas acabou dormindo em frente a privada. Acordou atordoado, como se um elefante tivesse pisado em seus testículos. Tinha quase certeza que tudo não tinha passado de uma alucinação causada pelos quilos de álcool em seu sangue. Mas depois de alguns segundos percebeu que ainda estava todo melado. Seu pulso se apresentava em um estado deplorável. Mesmo sem forças, se levantou em um pulo e correu até a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrou ninguém. Nenhum vestígio dos restos mortais de Camila. Pensou, tinha se cortado em um ato covarde, mas não tinha cometido essa barbárie com mais ninguém, respirou aliviado. Foi até a cozinha pegar um pouco de água. Sentiu uma porrada em suas costas, não conseguiu olhar pra trás. Se sentia cansado, não podia mais resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou. Só conseguia ver a cor branca em sua frente. Paredes brancas. Tecidos brancos. Mulheres brancas. Tudo tão branco. Teria morrido? Teria conseguido créditos suficientes pra ir ao céu? Se arrependeu de ter lido tantas vezes o livro do Richard Dawkins. Uma mulher chegou perto e disse:&lt;br /&gt;- Senhor Marcelo? O senhor está no Hospital Alexandre Cintra, temos boas e más noticias para o senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puta merda, ela me chamou de senhor três vezes em uma frase e tem más noticias pra mim. Começou a se situar. Não conseguia mexer os braços ou as pernas. Pra falar a verdade, não conseguia nem movimentar sua cabeça, só conseguia olhar fixamente para a cara gorda e pálida da mulher na sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu nome é Dra. Fernanda, eu sou a enfermeira-chefe do hospital. O senhor estava em coma nos últimos quatro dias. Infelizmente alguém invadiu sua casa, atingiu o senhor pelas costas, pelo que os policiais puderam investigar e... eu não sei como falar isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cara da mulher passou de um branco albino para um vermelho quase-infarto em segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... ele comeu seus membros inferiores e superiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo não entendeu direito nos primeiros segundos, ainda estava muito dopado, mas depois seus olhos encheram de lagrima, ele já conseguia movimentar sua cabeça e conseguiu constatar o que a enfermeira tinha lhe dito, suas mãos e pés não existiam mais. Ele só conseguiu balbuciar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vadi... Puta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira pensou que ele estava se referindo a ela, mas já tinha se acostumado com os “pacientes difíceis”, mas isso era trabalho pras técnicas em enfermagem, ela não passou quatro anos sentada em uma cadeira pra escutar xingamentos. Pediu licença e se retirou do quarto, prometendo que enviaria alguém pra atendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois, Marcelo escutou alguém forçando a porta do quarto, devia ser alguma enfermeira trazendo antibióticos misturados com gelatina sem gosto. Mas não, era aquele velho, o maldito velho que tinha plantado a idéia em sua cabeça;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu... Miserav...&lt;br /&gt;- SILÊNCIO. Agora você só escuta. Você tinha razão, eu sou velho, eu tenho 300 anos. Eu tinha morrido e um filha da puta necrofilo me comeu, eu acabei virando essa aberração. A mesma coisa aconteceu com sua namoradazinha. Ela virou uma aberração, agora vai perambular as ruas comendo carne de mendigos. Ela virou uma puta zumbi. E você não pode fazer nada sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho se aproximou de Marcelo e mais rápido que uma bala, arrancou sua cabeça. Já tinha garantido o lanche da tarde e menos uma pessoa pra dedurar suas atividades noturnas. Sua caça, como gostava de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dra. Enfermeira-chefe, depois de duas horas, voltou para checar seu paciente preferido. Definitivamente não tinham falado sobre isso na faculdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4277009618275189847-1544859380437465043?l=pedrosmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/feeds/1544859380437465043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/2010/05/puta-zumbi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277009618275189847/posts/default/1544859380437465043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277009618275189847/posts/default/1544859380437465043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/2010/05/puta-zumbi.html' title='A puta zumbi'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_2ws6lZ3Q3Ns/SArTygB-ynI/AAAAAAAAAAM/bDHiyE1qpSE/S220/ATgAAAAWOaLvkP_IhAsHym4yQnAG_9cB_hwt0CLzz48TGzfe67T9tt7q_BM_KSkTN3ZMABd58h0uBqJ9dto3dUDhRSBIAJtU9VDE1YjtMkicakAgR46jVdHEcmaYMw.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277009618275189847.post-5270785679936270035</id><published>2010-05-10T21:09:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T06:34:36.994-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Miss Vingança</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paula acordou animada, não era um dia como outro qualquer, hoje ela teria a recompensa pelo esforço que tinha feito nos últimos dois anos. Ela tinha o sonho, que tantas outras garotas com 18 anos tem, ganhar o concurso de Miss Brasil. Ok, o sonho realmente não era ser coroada, e sim os benefícios que o titulo lhe daria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha tentado entregar seu book em diversas agências, perdido a conta de quantas vezes foi rejeitada, talvez por ter um padrão brasileiro que não serve para ser modelo de passarela. Não concordava com a afirmativa que ouvia quando questionava para amigos o motivo de tamanho insucesso. ''Não tem essa de cabide não, você acha que eles pagam dez mil reais por um passo pra Gisele pra ela servir de cabine? Por favor...''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os colegas da faculdade de Direito começaram a estranhar as mudanças no visual da garota no passar dos meses. Ela tinha um corpo perfeito pra maioria dos homens brasileiros, peito de pequeno pra normal e um bundão, a sintonia perfeita. Talvez não fizesse sucesso com os americanos, fascinados por sutiãs estourando pelo peso dos seios silicionados, mas fazia a grande maioria dos seus nativos virar a cabeça quando passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela não estava satisfeita com aquilo, tinha que ficar no padrão CIGARRO/COCA-COLA LIGHT de toda modelo internacional. Perdeu alguns quilos visíveis, os braços ficaram flácidos, os tarados nos corredores da faculdade começaram a deixar de notar sua presença, mas os produtores da agência, que geralmente não gostavam muito da fruta, começaram a ser mais simpáticos com ela. Pra completar fez uma cirurgia no nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulou da cama, tomou um banho e comeu a primeira fruta diurética que viu pela frente. O dia seria longo, primeiro tinha que ganhar a competição regional, pra depois competir com mais 27 garotas pelo titulo nacional. Já tinha visto as outras competidoras do estado quando foram tirar a foto das concorrentes com o governador. Sem falsa modesta, não conseguiu encontrar nenhuma com mais chances que ela. Nunca se sentiu tão confiante depois disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se encontrou com as outras garotas do estado no Centro de Convenções. Se preparou mentalmente pras etapas lendo um livro de auto-ajuda, cujo nome não é importante, é uma mistura de 12 passos com um ladrão de queijo. E chegou a hora. Todas as etapas passaram, traje de banho, traje noturno, seja lá quais forem as outras. Ela chegou até as três últimas. Aquele momento em que as três finalistas ficam a beira de um ataque de nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguia ver seus parentes na arquibancada, seu pai imóvel, preferia que a filha fosse uma juíza do interior, sua mãe sempre sonhou em ver sua filhinha como uma boneca sendo admirada pelo mundo. Estava satisfeita. As outras duas concorrentes visivelmente não eram mais bonitas que Paula, ela tentava não pensar nisso, pra não azarar. Anunciaram a terceira colocada... ROBERTA! Nem vinte quilos de Sertralina tirariam a ansiedade de Paula nessa hora. “E a MISS desse ano é... JULIANA”. Puxaram Paula para o lado, todas as câmeras foram focalizadas em Juliana, o apresentador a coroou. Paula tentava se concentrar em seus joelhos, queria cair no chão e chorar até não aguentar mais, mas precisava manter a calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho acabou. Frase mais do que manjada, mas eu precisava colocar no texto. Paulinha passou três dias, EXATAMENTE três dias de luto. Quando sua vó morreu ela só passou 18 horas de luto, antes de sair pro cinema com seu namorado. Agora passou três dias comendo chocolate branco e tomando fanta uva no seu quarto. De vez em quando admirava seu nariz no espelho, ela gostava mais do seu nariz tortinho, mas teve que se submeter a cirurgia pra ter mais chances de ser escolhida a mulher mais bonita do Brasil. Não conseguiu nem ser a eleita do estado. Os familiares tentavam consolar, o pai ficou feliz, agora o sonho de ver sua filha magistrada voltou a tona, pensou em comprar o Código Penal comentando do Damásio de presente, mas achou que seria uma coisa muito sugestiva. Queria uma filha juíza, principalmente pra mostrar pros seus melhores amigos, que em sua maioria tinham filhos na faculdade de medicina. Malditos médicos, pensava o pai de Paula, com seus jalecos brancos e 80 horas de trabalho por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do terceiro dia, resolveu checar o seu orkut... dezenas de mensagens de consolo de amigos da faculdade. Msn, mais uma penca de amigos dizendo que sempre tem o próximo ano. Lembrou do arcaico email... e olha, uma mensagem com o assunto: “Paula, vc foi roubada”. Apesar do português ferrado, a mensagem chamou atenção, finalmente alguém que não tentava consolar o inconsolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem é um pouco extensa, então vou tentar resumir em uma frase: “Paula, você não conseguiu se eleger, pq tem a porra de uma tatuagem de borboleta na barriga”. Não é piadinha de duplo sentido, mas ela realmente ficou com borboletas na barriga quando leu aquilo. Ela já tinha sentido um pouco de desprezo de suas concorrentes quando viam a minúscula tatuagem. Sentiu nojo de ter desejado fazer parte desse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conto podia ter terminado com um massacre. Olha o nome “Miss Vingança”, você ta esperando alguma coisa parecida com o Kill Bill. Paula poderia ter cortado a garganta de todos os velhos babões que julgaram o concurso, eu tenho esse poder, ela vai fazer tudo que eu escrever, mas eu estou me sentido extremamente realista hoje, então vou mandar a real, como os rappers de colégio falariam, Paula tentou seguir o plano do pai, terminou a faculdade de Direito e nunca conseguiu passar na OAB. Depois da terceira tentativa, se casou com um velho rico. Teve quatro filhos, sua tatuagem de borboleta nunca mais foi a mesma. Sua filha mais velha agora sonha em ser modelo, a mãe quer que ela seja juíza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4277009618275189847-5270785679936270035?l=pedrosmarques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/feeds/5270785679936270035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/2010/05/miss-vinganca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277009618275189847/posts/default/5270785679936270035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277009618275189847/posts/default/5270785679936270035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pedrosmarques.blogspot.com/2010/05/miss-vinganca.html' title='Miss Vingança'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_2ws6lZ3Q3Ns/SArTygB-ynI/AAAAAAAAAAM/bDHiyE1qpSE/S220/ATgAAAAWOaLvkP_IhAsHym4yQnAG_9cB_hwt0CLzz48TGzfe67T9tt7q_BM_KSkTN3ZMABd58h0uBqJ9dto3dUDhRSBIAJtU9VDE1YjtMkicakAgR46jVdHEcmaYMw.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
